Dil Santos

As vezes não sei quem sou
Ou onde estou.
Tento encontrar um pouco de mim
Ou o que restou de mim
Em pequenos fragmentos
Que encontro soltos por aí.
As vezes me olho no espelho
E não me reconheço
Não reconheço esse rosto
Esses traços marcados pelo tempo
Marcas deixadas em minha pele
Em minha alma.
Minha memória não mais é a mesma
Tento recuperar, mas será que ela vai voltar?
As vezes tento atenuar
Com cantarolas ou prosas
Que me ponho a pronunciar
Sair? Nem sei mais se quero
Um saída para esse problema?
É o que mais espero.
Mas meu tempo passou
Minhas memórias?
Algumas poucas me sobraram
De um tempo que passou
Do tempo em que a lucidez
Fazia parte de mim
Do tempo em que eu sabia
Exatamente quem sou, onde estou
E o que me restou.

Esse poema foi feito para minha avó, que está com Alzheimer. É uma visão da qual acredito que ela esteja se sentindo, vendo dessa forma as coisas das quais tem passado, tem vivido, sentido.
Avó essa da qual amo incondicionalmente, tenho profunda admiração, orgulho da pessoa que é, da criação que me deu e dos valores que foram passados para nós netos e sobrinhos, que vivemos sobre seus cuidados e foram passados alguns ensinamentos sobre as coisas da vida.

É isso

Bjo


Contato: dilsantos@rocketmail.com


22 Responses
  1. Preciso dizer que achei esse poema lindo? Pois é vou dizer: Amei.
    Sinceridade eu vi em cada linha que linda homenagem para a sua avó, são coisas assim sinceras que fazer a gente demonstrar quem realmente amamos.

    Beijos Querido Dil.


  2. Morbid_Angel Says:

    Belo poema, apesar de triste... a razaum dele eh triste.
    Sabe kra, acho q tudo na vida tem um retorno, tu diz ai no teu post q da criacaum q ela deu, dos ensinamentos, da vivencia, dos cuidados e agora chegou a hora de ele ter o retorno, de ti tenho ctza absoluta q jah tah tendo. Mta forca, tanto pra ela qnto pra tua familia.
    Abracos e obrigado pelo comment na Cela, tua frase virou status no meu facebook.


  3. Sabe Dil, familia é algo tão sagrado, tão delicado... Algo só nosso que só a gente entende o verdadeiro significado.
    Algumas até nos criticam por amarmos demais os nossos. Mas no fundo entendem que o amor materno, patermo... é um sentimento que só o nosso coração entende de verdade.
    Seu poema é lindo. Suas palavras, maravilhosas. Seu sentimento pela sua vó, divino.
    Parabéns amigo. Sempre ame seus familiares. Sempre.


  4. sonho Says:

    Essa doença é fogo meu menino de olhos lindos!
    E por vezes dá para perder a cabeça...mas nunca podemos esquecer o que foram ou o que fizeram por nos:)
    Beijo d'anjo


  5. Lidi Dias Says:

    Poxa!
    Texto incrível !!
    Também escrevi um texto para minha avó, mas ela não esta com Alzhimer.
    Como é ruim ver uma pessoa que se esquece de si e das pessoas que ama.
    Senti isso na pele.
    parabéns pelo texto!
    Beijos na sua Alma


  6. é um mundo totalmente diferente...


  7. Rute Says:

    Oi querido eu estou bem sim e vc como está?

    Que lindo poema. Parabéns a homenagem a sua querida vovó.

    Me fez , me lembrar um texto de Clara Arruda que fez a sua avó, que também está com Alzheimer.

    Alzheimer



    Não sei se ocorrerá comigo
    Penso na possibilidade de perder os sentidos.
    Passeio por minha memória ainda intacta
    Quero deixar registrado antes que ela se apague.


    Se eu de repente me esquecer o teu nome
    Não briga comigo me fazendo lembrar.
    Tenha paciência, me de apenas carinho.
    Eu não tenho culpa da mente se apagar.


    Fiz amigos nessa vida tão corrida
    Guardei tantas lembranças em arquivos temporários
    E hoje esse arquivo contaminado por um vírus
    Perde detalhes que já não posso recuperar.


    Quando eu perguntar várias vezes:
    Quem é você, por favor, não me chame de caduca.
    Se me esquecer o lugar de onde nos conhecemos
    Será apenas um lapso, eu direi muitas vezes.


    Talvez... Eu jamais recupere minha auto-estima
    A sombra da noite vai cair como densa cortina
    Cegará não apenas minha visão Levará muito mais:
    Minha doce ilusão.


    Eu não terei controle sobre meus pensamentos
    Agora eu sei que será um tormento
    Mas, não reterei por mais que meros segundos.
    Mergulharei no esquecimento.


    Quando a medicina esse mal vai vencer.


    Viva cada segundo como se fosse o último
    Não leve tão a sério os problemas passageiros
    Não deixei que a luta se transforme em carcereiro
    A pior doença é...

    O momento derradeiro.


    Não abdique dos breves momentos de felicidade
    A vida só é bela, só é digna de se viver.
    Quando a compreendemos em sua permanente transformação.




    Clara Arruda
    Rio de janeiro, 20/10)/2009

    Lindo né?
    Querido desejo a vc, uma ótima semana. Beijos


  8. Flavih A. Says:

    Que poema lindo Dil.
    Que sua vózinha fique bem.
    E vc tbm.

    Beijos querido.


  9. Que lindo. Emocionei...Lembrei da minha avó :)

    Esse poema serve para todos, pois envelhecemos a cada minuto que passa...

    Bjs


  10. Cantinho She Says:

    Querido Dil, tudo bem? Qto tempo não venho por aqui... :(
    Já no comecinho entendi que era sobre o Alzheimer que vc falava, pois convivi com essa doença que acaba com a dignidade das pessoas por alguns anos com os meus avós paternos, isso mesmo, os dois tiveram e o Alzheimer os destruiu sem ao menos eles saberem o que acontecia... Ah me emocionei, lembrei deles, fiquei com pena, senti por vc e sua família, principalmente por sua vózinha... É muito, muito triste, querido!
    Sinto muito!
    Apesar da tristeza, seu texto ficou muito lindo e sensível! Gostei muito, parabéns!
    Beijo, beijo!
    She


  11. Lindo poema... o sentimento puro e verdadeiro que vc sente pela sua familia é transpassado para o leitor!

    estou seguindo seu blog
    gde abço
    Luka


  12. Olá Dil
    Essa é uma doença muito triste, meu pai também teve, e todos nós sofremos junto com ele. Bela homenagem a sua avó.
    Bjão


  13. Júlia Says:

    Oi Dil... Primeira vez passando aqui no blog e gostei muito do que vi, parabéns.
    Qaunto ao poema, lindo lindo lindo!
    Trabalho em um consultório neurológico e entendo muito bem sobre doença de Alzheimer... Para a família, é um momento dificil onde você vê a pessoa que se ama "regredindo" de uma forma absurda (dependendo do estágio da doença). Tem que ter força, para saber levar a situação com um jogo de cintura, e não deixar a sua avó de lado nunca! Dê sempre carinho e atenção, falando das coisas do passado... ela vai gostar! *-*

    Bom, falei demais. ahaha
    Beijo =*


  14. RaH Says:

    Nooossa Dil..
    Que lindo..
    É, o "alemão" é realmente muito complicado.. muito triste...
    É preciso muito apoio, amor e compreensão da familia.

    Quanto ao poema, até eu me identifiquei!
    rs..
    BeeijO e desculpa a demora!
    Saudadee!

    BeijO grande..


  15. O que foi, não fica, passa...
    As memórias, não estão mais lá tão forte mas o amor, esse sim permanece!

    Um beijo,Dil! Que tudo fique bem!


  16. Candy Says:

    Isso me lembra aquele filme "Diário de uma Paixão". É um filme muito bonito. Se nunca viu, veja! Recomendo. E não se preocupe, uma coisa é sua avó não ter lembranças, mas ela tem sentimentos. E no fundo sempre saberá que o ama.

    Bjs


  17. Olá Dil....
    Lindo o poema!!! Uma bela homenagem.
    Ela pode não guardar mais muitas coisas mas ela sente. E guardar pra que? As vezes imagino que pode ser muito bom sentir tudo novo de novo com a mesma ânsia e vontade de tempos atrás. Não é fácil... mas siga em frente com força e fé por ela e pelos valores que te passou!
    Um beijão


  18. por vezes a dor e a tristeza nos inspiram por demais ... minha solidariedade ao amigo Dil ...

    bjão querido

    ;-)


  19. Inside Me Says:

    oi amorr, eu to bem sim, saudade de vc tb, hj eu tava vendo seu coment numa foto minha no orkut, e eu disse: nossa, dillllll, q saudade de vc menino, saiu assim: rápido, instintivo, pq é verdade...


  20. Olá querido, eu não estou acabando com o blog apenas mudando as coisas lá! Aguarde!
    Sobe o seu lindo post, parabéns por transformar em poesia o que vc esta passando

    Beijos


  21. Déia Says:

    Lindo seu poema, meu amigo!

    Essa doença dói muito em quem está de fora assistindo, né?
    Pra vovó, pro vovô, passa desapercebido...
    Eu tive por 8 anos uma casa de repouso e presenciei muitos casos...
    Amor, é tudo que precisam! Ah, e paciência também!
    Nossa, q saudade de vc!
    bj


  22. Walquiria Says:

    Estava olhando, lendo e parei aqui nesse post... Fiquei emocionada. Embora o poema traga uma certa tristeza, estou feliz que tenha ela por perto. Quisera eu ainda ter esse privilégio... Mas enfim...

    Parabéns pelo blog!

    Que vc e sua família sejam abençoados a cada amanhecer.


    Bjs doces